Taxas das plataformas: quanto sobra pra você em cada venda

A fórmula pra descobrir o líquido real de uma venda, com as quatro mordidas que quase ninguém soma

EQEquipe CoolCoolPublished on Updated on 7 min read
Tela de checkout com o valor da venda e o detalhamento das taxas cobradas

In short

  • O líquido de uma venda é o preço menos a taxa da plataforma, menos a taxa do meio de pagamento, menos reembolso e inadimplência — o prazo de repasse não tira dinheiro, mas atrasa o seu caixa.
  • Taxa fixa por transação pesa muito mais em ticket baixo: o mesmo centavo cobrado numa venda de R$ 29 dói proporcionalmente mais que numa de R$ 197.
  • Plataforma cobrada em dólar tem três custos que somam: a mensalidade convertida, o spread do câmbio e o IOF de compra internacional.
  • Taxa menor não significa mais dinheiro no bolso: compare o líquido por venda somado às ferramentas que você ainda precisaria contratar por fora.
  • Nunca confie em taxa que você leu num blog, inclusive neste: abra a página oficial de preços da sua plataforma e do seu meio de pagamento e refaça a conta com os seus números.

Todo mundo compara taxa de plataforma. Quase ninguém faz a conta inteira. E a conta inteira tem quatro partes: o que a plataforma cobra, o que o meio de pagamento cobra, quando o dinheiro chega e o que o câmbio come quando a cobrança é lá fora.

Qual é a fórmula do quanto sobra?

Líquido = preço − taxa da plataforma − taxa do meio de pagamento − taxa fixa por transação. Depois, desconte a média de reembolsos e de cobranças que falham. Só então você tem o número que importa.

O detalhe que inverte comparações: algumas plataformas cobram o percentual sobre o valor bruto da venda e outras cobram depois da taxa do meio de pagamento. É a primeira coisa que você precisa descobrir na página oficial de preços — porque duas taxas idênticas no papel dão líquidos diferentes conforme a ordem da cobrança.

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Quais são as quatro mordidas de cada venda?

São estas, na ordem em que aparecem:

  1. Taxa da plataforma. Pode ser um percentual por venda, uma mensalidade fixa, ou os dois. Percentual escala com você; mensalidade fixa pesa muito no começo e vira barata quando o volume cresce.
  2. Taxa do meio de pagamento. Muda por método. Pix costuma ser a mais barata, cartão é a mais cara e quase sempre vem com um valor fixo por transação somado ao percentual. Boleto tem custo por emissão mesmo quando ninguém paga.
  3. Prazo de repasse. Não reduz o valor, adia. Pix cai rápido, cartão à vista tem prazo, cartão parcelado pode pingar mês a mês se você não antecipar.
  4. Câmbio, quando a cobrança é lá fora. Conversão, spread e IOF de compra internacional. Some antes de decidir.

Um exemplo numérico (ilustrativo — os números são inventados)

Atenção: as taxas abaixo são fictícias, escolhidas só pra mostrar a mecânica da conta. Não representam nenhuma plataforma nem nenhum adquirente real. Use a estrutura e substitua pelos seus números.

Suponha uma venda de R$ 197 no cartão, com taxa de plataforma de 5%, taxa do meio de pagamento de 3,5% e taxa fixa de R$ 0,49 por transação.

LinhaValor
PreçoR$ 197,00
Taxa da plataforma (5%)− R$ 9,85
Meio de pagamento (3,5%)− R$ 6,90
Fixo por transação− R$ 0,49
LíquidoR$ 179,76

O total retido é R$ 17,24, ou 8,75% do preço. A mesma venda no Pix, com 1% de taxa do meio de pagamento e sem valor fixo, ficaria em R$ 185,18 de líquido.

Agora repita com um ticket de R$ 29 e as mesmas taxas: R$ 1,45 de plataforma, R$ 1,02 de meio de pagamento e R$ 0,49 de fixo. Saem R$ 2,96, ou 10,2% do preço — mais de um ponto e meio a mais que na venda de R$ 197, com taxas idênticas. O culpado é a taxa fixa. É por isso que produto barato e taxa fixa por transação se dão mal, e é um argumento a favor de subir o ticket em vez de baixar. Se o seu ticket ainda não está definido, o método está em quanto cobrar por uma comunidade paga.

O valor que o cliente vê e o valor que cai na conta são dois números diferentes; a diferença muda conforme o método de pagamento
O valor que o cliente vê e o valor que cai na conta são dois números diferentes; a diferença muda conforme o método de pagamento

Por que o prazo de repasse é uma taxa disfarçada

Porque ele decide se você consegue reinvestir. Se você gasta em tráfego pra vender hoje e só recebe daqui a trinta dias, precisa bancar um mês inteiro de operação com dinheiro próprio. Quem está começando quebra por caixa, não por margem.

Faça a pergunta na ordem certa: quanto do meu faturamento eu preciso ter de volta na conta em até sete dias pra manter a operação rodando? Se a resposta for "quase tudo", uma plataforma com taxa um pouco maior e repasse rápido pode valer mais do que uma taxa menor com dinheiro preso. Antecipação existe, mas antecipação é uma taxa a mais — e costuma ser cara.

O que muda quando a plataforma cobra em dólar

Somam-se três custos que não aparecem no site: a mensalidade convertida pela cotação do dia, o spread cobrado na conversão e o IOF de compra internacional. A alíquota do IOF muda por decreto, então confira a vigente antes de calcular, e lembre que a cotação varia todo mês — uma mensalidade "fixa" em dólar não é fixa na sua contabilidade.

Tem um segundo efeito, menos óbvio: plataformas de fora normalmente não têm Pix nativo, e o Pix é o método mais barato e mais rápido pra público brasileiro. Você paga mais na ferramenta e paga mais no meio de pagamento ao mesmo tempo. Se você cobra de fora, a lógica é outra e está detalhada em como definir preço por país sem perder venda.

Taxa menor nem sempre significa mais dinheiro no bolso

Compare o líquido do mês, não o percentual nominal. Três coisas entram nessa comparação e ficam de fora da tabela de taxas:

  • O que você ainda vai contratar por fora. Se a plataforma barata não tem checkout, e-mail, automação ou área de cursos, some as assinaturas dessas ferramentas ao custo dela. É comum a soma passar a taxa da opção mais completa.
  • Cobranças que falham na renovação. Em assinatura, cartão vencido e limite estourado corroem receita todo mês. Uma plataforma que tenta de novo e avisa o membro vale mais que meio ponto de taxa.
  • Quantas vendas cada checkout perde. Um checkout que aprova mais compensa taxa maior. É o mesmo raciocínio de Pix, cartão ou boleto: o que converte mais.
Painel de vendas com líquido por método de pagamento: é esse número, e não o bruto, que deve guiar suas decisões
Painel de vendas com líquido por método de pagamento: é esse número, e não o bruto, que deve guiar suas decisões

Como conferir os seus números em dez minutos

Abra três abas e preencha uma linha de planilha:

  1. A página oficial de preços da sua plataforma. Anote o percentual, se existe mensalidade e sobre qual base o percentual incide.
  2. A página de taxas do seu meio de pagamento, separada por Pix, cartão à vista, cartão parcelado e boleto. Anote também o prazo de repasse de cada um.
  3. O seu último extrato real de vendas. Divida o total que caiu na conta pelo total vendido no período. Esse é o seu percentual efetivo — e ele quase sempre é maior do que a soma das taxas de tabela, porque inclui reembolso, estorno e falha de cobrança.

Repita essa conta a cada trimestre. Taxas mudam, seu mix de pagamento muda e o seu ticket muda.

Na Cool, o checkout com Pix, cartão e boleto é da própria plataforma e o modelo é de taxa por venda — os valores vigentes ficam na página de preços, que é onde você deve conferir antes de fazer qualquer conta. O raciocínio por trás desse modelo está em por que você só paga quando vende.

Frequently asked questions

Qual é a fórmula pra saber quanto sobra de uma venda?

Líquido igual a preço menos taxa da plataforma, menos taxa do meio de pagamento, menos a taxa fixa por transação. Depois disso, desconte a média de reembolsos e cobranças que falham no período. O prazo de repasse não entra na fórmula do valor, mas define quando esse dinheiro fica disponível.

A taxa percentual é cobrada sobre o preço cheio ou sobre o que sobrou?

Depende do contrato de cada plataforma e é a primeira coisa que você deve conferir. Existem modelos que cobram sobre o valor bruto da venda e modelos que cobram depois da taxa do meio de pagamento. A diferença muda o líquido, então leia na fonte oficial antes de comparar.

Prazo de repasse é uma taxa?

Não tira valor da venda, mas custa caro em caixa. Se você paga tráfego pra vender e só recebe em trinta dias, precisa financiar um mês inteiro de operação do próprio bolso. Em quem está começando, isso trava mais o crescimento do que um ponto percentual a mais de taxa.

Como comparar duas plataformas com modelos de cobrança diferentes?

Simule o mesmo cenário nas duas: seu ticket real, seu volume mensal estimado e a divisão entre Pix, cartão e boleto que você tem hoje. Some à conta o custo das ferramentas que cada uma te obriga a contratar por fora. Compare o líquido do mês, nunca as taxas nominais.

Vale a pena repassar a taxa pro cliente?

Em assinatura recorrente costuma ser um tiro no pé, porque adiciona atrito num pagamento que precisa parecer simples. Se a sua margem só fecha repassando taxa, o problema real está no preço. Recalcular o preço embutindo o custo é mais limpo do que cobrar uma linha extra no checkout.

Por que vender em dólar nem sempre rende mais?

Porque entre o valor cobrado e o que cai na sua conta existem conversão, spread e prazo, e o cliente brasileiro que paga em dólar ainda leva IOF de compra internacional. Vender em dólar faz sentido pra público de fora, não como truque de margem pra público daqui.

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